Corrida do Bem Contra o Mal

Ando cansada…o batido de quem “vive de bico“ ou em francês pra ficar mais chique “je vie de beque“, não é fácil.
Não se trata só de matar um leão por dia,o mais difícil é achar o bichano!
Bem,mas esse é outro assunto. Só sei que estou tão cansada que nã
o tenho tido forças nem pra ir no meu querido e necessário estudo bíblico.
Daí me lembrei que me disseram que quando eu começasse com o trabalho voluntário,ainda mais onde é,o mal não ia gostar nada…que eu então me preparasse.
Agora entendo,porque,se existe um inferno,ele deve ser parecido com as cenas que a gente vê por ali. Homens vagando imundos,de boca aberta,babando,como zumbis…drogados. Caximbos de crack acessos na sua frente,quando muito escondidos em uma especie de cabana feita com o cobertor sobre a cabeça.
Dentro do albergue é limpo,pra isso todos sao colocados para fora as 7h,e aí a cena na rua choca ainda mais. São 400 homens,como eu e vc,muitos por opçao sim,por escolha,como vc deve estar pensando,mas outros tantos simplesmente por não conseguirem vislubrar a menor saída que seja.
É por esses que estou lá,por esses reuno forças sabe-se la de onde e abraço,rio e estendo a mão,literalmente.
E quando a gente estende a mão,outras mãos do bem aparecem, como meu amigo médico cardiologista que se ofereceu pra ir la amanhã fazer eletro e exame clinico pra ver quantos dos 20,estão aptos para arriscar ate mesmo um trote de 5 minutos…eu nao seria louca de coloca-los em risco.
Ontem tambem meu treinador,educador físico, se dispos a passar os treinos para os que de fato queiram se aventurar no mundo da corrida.
Ontem também decidimos fazer um “treino solidario“,saindo e chegando no Mocca, que vai doar 10% de seu faturamento desse dia para confecçao de uniforme pra turma. Nesse dia os atletas levarão tênis para serem doados.
Então,voltando ao início do texto,
peço desculpas a deus por não ter ido no estudo bíblico hoje cedo, mas sei que o Senhor está ao meu lado e que tem mandado anjos pra cuidar de mim e de minhas filhas. Faço desse texto,minha oração de agradecimento e peço para que me dê ainda mais forças pra seguir em frente e não me deixar abater pelo mau que tenta a todo custo nos tirar desse caminho.
Amém
LB

Corredores de Rua

Ainda em um misto de êxtase e choque, tava aqui pensando na experiência de ontem.
Chegando no Albergue no bairro Floresta,perto do viaduto,de cara com um usuário crack na porta, do outro lado da rua,com o cachimbo
acesso…
Erica,a coaching voluntária que convidou a mim e ao peregrino Bê Santanna e nos “apadrinhou“ nesse projeto que iniciaríamos agora,já havia nos preparado para cenas como essa,acontece que uma coisa é ouvir,ver na TV,a outra é vivenciar…dói.
Respirei fundo e fui,tinha rezado mentalmente minutos antes,pedi que o Espírito Santo falasse através de mim e do Bê.
Entramos,o albergue é uma construção antiga,mas bem conservado,mantido pela Fundação Darcy Ribeiro com apoio da PBH, conta com seguranças na porta e um quadro de funcionários como supervisores, monitores,além de voluntários,como eu passaria a ser assim que cruzei aquela porta.
Fomos bem recebidos,um boa noite aqui outro ali sob olhares desconfiados e curiosos,o que é mais do que normal se imaginarmos uma mulher loira entrando em um ambiente de que dá abrigo para cerca de 400 homens,oferecendo comida,banho e colchões.
Coração a mil,não por medo,aliás não senti medo um segundo sequer,nervosismo mesmo,ainda no carro e “agindo com o coração“, combinei com o Bê que eu abriria a palesta e ele fecharia,pois aprendi com experiência em cerimoniais que o mais importantes deve ficar para o final.
Seguindo o funcionário responsável pela turno,Adilson, atravessamos corredores em direção ao pátio,quartos amplos com vários colchoes encapados de vinil azul, alguns ocupados mas a maioria vazios, ainda eram 20h, a turma estava chegando. Banheiro,de porta aberta,um refeitório grande , um barbeiro cortando o cabelo de um enquanto outros aguardavam e chegamos. A cena não é fácil, muitos deitados no chão,alguns bêbados ou drogados, outros jogando truco, ali haviam de 50 a 100 pessoas espalhadas em uma área de cimento, coberta,com paredes pintadas de branco e verde. O cheiro, apesar de suportável, não é agradável, so toma banho quem quer, porque segundo o “Direitos Humanos“, não se pode obrigar ninguém a se banhar…difícil entender, eu sei.
Bem, mas essa é outra história, imediatamente fui cercada por uns três ou quatro,queriam saber o que eu ia falar, qual era o tema. Um deles, de óculos e bem articulado, me olhou nos olhos e disse desafiador: ”Corrida? Sou professor, dá uma palinha então,mostra o que vc sabe,quero ver.“
– Vc vai ver – respondi – vc e todo o resto, vou caprichar, vim até com meu tênis vermelho! E mostrei os pés.
– “Olha, esse tênis é da Cola Cola, isso é a tocha? Perguntou apintando pro tubo que eu carregava. “
– É sim, daqui a pouco te mostro. – completei.
Outro se aproximou mais, cheirou meu pescoço e elogiou, não gostei, estiquei o braço em direção ao Bê e falei alto:
– “Bê, olha isso aqui, tão me assediando!“ – numa espécie de pedido de socorro bem humorado.
No mesmo instante o cara perguntou se eu era esposa dele, o Bê riu e respondeu: “É como se fosse.“
E o mais ousado se afastou.
Peguei uma mesa de plástico que estava em um canto, coloquei minha mochila em cima e tubo com tocha do lado. Erica, que já é conhecida de muitos ali,pediu a atenção e fez uma breve introdução.
Alguns poucos se aproximaram, olhares desconfiados de quem recebe muito mais “nãos“ do que “sim“ . Era a minha vez….
Pedi pra turma sentar, me apresentei como Laura,só Laura, recepcionista em um restaurante, contei uma historinha do paulo Freire que mostra que ninguém sabe mais do que ninguém e juntos poderíamos aprender mais, expliquei que eu estava ali não pra falar de “vida“, sabia que sobre isso eles poderiam dar aula, mas sobre correr comi a corrida é capaz transformar.
Então eles foram se chegando e sentando, um início de briga em um canto e um negro forte bem a minha frente levantou os braços e bravejou: -“Olha respeito com a moça“! 

Pronto, eu mereci respeito,valia a atenção.
Contei da perna quebrada durante a maratona, do desemprego, da China, do deserto do Atacama e então tirei o troféu da mochila, recebi uma salva de palmas e um mais engraçado levantou-se, me deu um abraço. E fingiu pedir um autografo.
Tirei a tocha olímpica e pedi para que passassem pra frente para que quem quisesse a segurasse, os olhos brilhavam, queriam saber tudo.
Falei então da proposta de formarmos um grupo de corrida.
Dois se destacaram, o fortão que me defendeu e um rapaz mais novo logo perguntaram como fariam pra participar.
Falei que no final explicaria.
Ouvimos então o Bê e sua caminhada de 2.500km por amor a filha…sim dois mil e quinhentos, eu não escrevi errado.
Vi muitos se emocionarem e eu mesma tive que segurar as lágrimas,o moço é diferenciado.

Então ele fechou com a mensagem:
“Qualquer distância se faz com dois passos: o Primeiro e o Próximo.
O primeiro é Deus, o próximo é vc mesmo e também o outro, porque nunca estamos sós e sempre precisamos de ajuda.”
Saímos de lá com 15 inscritos, seus numero de tênis e eu com o compromisso de estar de volta na segunda às 6:30h.
Não podemos correr antes de exames físicos e orientações de um profissional, mas estarei lá, para uma caminhada e mais, para darmos o primeiro passo.
E assim nasce o primeiro grupo de corrida de pessoas em situação de rua: CORREDORES DE RUA
Amém.

LB

 

Corredores de Rua

12 de Abril – Há exatamente 2 anos,corri minha primeira maratona,em Rotterdam,terminei com o fêmur fraturado e, na volta da viagem, fui demitida…
Foi aí,quando não tinha mais nada a perder, que resolvi mudar e, contra tudo e todos, tomar as rédeas da minha vida e ir ser feliz. Depois disso publiquei meu primeiro livro (esgotado),conduzi a tocha olímpica e fui corre na China (14o lugar) e no Atacama (2o lugar).
Hoje aos 47 anos,bilingue,pós graduada e com passagem por 2 multinacionais,sou hotess no @moccacoffeebrasil ,resolvi correr 10 entre as mais difíceis maratonas do mundo, ganho pouco mais que um salário mínimo, tive que vender o carro,perdi amigas, ganhei outros,faço meus bicos e nunca, nunca mesmo, fui tão feliz! Sim,a corrida mudou a minha vida, pra valer!
Fui então convidada pra ser madrinha de parte de um sonho maior de ajudar as pessoas que vivem nas ruas a também mudarem as suas vidas batizado de “Trem das Sete“, que acontece em um albergue que acolhe cerca de 400 pessoas em situaçao de rua.
A minha missão? Apresentar-lhes a corrida e ajudar aqueles que queiran experimenta-la. Vou precisar além de tênis em boas condiçoes de uso pra galera, de toda a ajuda possível, educadores físicos,nutricionistas,doaçoes,alimentos e roupas de treino e tudo mais necessário para criarmos a primeira equipe de corredores de rua, a “Corredores de Rua“.
Quer ajudar? Vem comigo! Eu? Terça feira vou lá conhecer e falar pra galera, cheia de felicidade,orgulho e gratidão! Obrigada. #voucorrendo#corredoresdasruas

Faria Tudo Novamente

Outro dia, conversando com amigas, falei que se tudo que eu passei e venho passando (que não é nada demais pois tenho saúde) foi pra me fazer quem sou hoje, eu atravessaria tudo novamente…
Agora,em oração, percebo se tratar de algo muito maior,dessas coisas que trazem alento a alma e calma ao coração.
Sim, porque se e foi para conhecer as pessoas que conheci e ter as filhas que tenho,faria tudo novamente , quantas vezes fosse preciso, e rindo! Agora, se foi pra finalmente encontrar a minha fé e entregar minha vida nas mãos de Deus, não teria derramado uma única lágrima, só agradecido.
Alguns chamam isso de maturidade,muitos simplesmente talvez nunca entendam e, claro, há os que riem e debocham… não tem problema, cada um tem o seu tempo, mas eu, eu chamo de amor!
Amém.
Laura Barreto

Aqui e Agora

Hoje: Arrume a mesa lindamente, com a melhor louça, tire as taças de cristal da caixa,coloque aquela música que você ama, mesmo que seja na cozinha, enquanto limpa a pia e, se não der tempo, deixe a pia para depois, ninguém vai morrer por isso.
Se der vontade, coma a sobremesa antes do almoço e o mesmo vale para uma taça de vinho ou duas. Use o que tiver vontade, o sapato preferido, aquela roupa que veste super bem e que você guarda para uma ocasião especial…
Esse dia é hoje.
Procure entender,coloque-se no lugar do outro, pratique o desapego e a paciência. Sorria, converse, perdoe e, caso necessario, afaste-se sem culpas ou medos.
Corte o cabelo, pinte da cor que quiser ou pare de pintar se essa é a sua vontade.
Declare-se! Diga que ama, esqueça velhos jargões do tipo “tem que se fazer de difícil” ou “não demonstre interesse”…
O que tiver que ser, será!
Economize dinheiro, para nao passar aperto, mas ajude quem precisa se assim puder, sim,voltará pra você de alguma forma.
Viaje, tome banho de cachoeira, pise na grama, respire fundo, corra! Nao tenha vergonha de você mesmo(a), nunca, mas assuma seus erros e falhas e tente corrigi-los.
Sorria para estranhos, estenda a mão.
Planeje, realize sonhos, trabalhe com o que lhe dá prazer, mesmo que não pague o que você acha que precisa.
Ria dos seus problemas,se nao der, se estiver pesado demais e a vontade de chorar tomar conts,chore, lembre-se: Ninguem é feliz o tempo todo, cada um está enfrentando a sua própria batalha e nem sempre será fácil, a bem da verdade, amaioria das vezes será difícil…e a dor de cada um é de cada um. Por fim, e só pra lembrar, viva! Porque a única coisa que realmente temos temos é o aqui e o agora…o tempo,meus caros, como disse Cazuza, não para.
Portanto, busque o equilibrio, claro que ninguém deve sair pirando por aí, mas, definitivamente,nao economize amor e nem o amor de alguém; ao contrário do que acreditam alguns, não é possivel estocar vento… a vida é um sopro e todos, cada um de nós, merece ser feliz.
Bom dia.
Pedro Augusto (em manhã inspirada e feliz)#voucorrendo