Uma vida e sete dias…

Faltando uma semana pra minha viagem pra China, olhei minha agenda lotada e o pensamento foi inevitável: “É, chegamos até aqui…”
Na terceira pessoa do plural sim, afinal de contas, desde o nascimento das minhas filhas só conjugamos nessa pessoa.
Não, nada foi nem está sendo fácil, continuo quebrada, desempregada, mas está tudo certo, temos saúde e, apesar de abrir mão e ser obrigada a desapegar de muita coisa, nunca nos faltou nada importante de fato.
No intervalo de um ano e pouco corri uma maratona de perna quebrada (não é força de expressão), fiquei desempregada, publiquei e lancei um livro, me atrevi nos palcos, dei treinamentos, fiz palestras, montei uma empresa para gerir redes sociais de pequenas e médias empresas, cuidando ainda da casa e das filhas…tudo isso enquanto me preparava para a 6a maratona mais difícil do mundo.
Irmãos morando longe, mãe no céu e pai em outra sintonia, mas contando com ajudas que vieram de onde menos se esperava.
É…fácil não foi não, mas também nada demais, mesmo porque não havia outra alternativa a não ser seguir em frente.
Agora faltam só 7 dias, crises de choro tem sido freqüentes, uma mistura de ansiedade, alegria e cansaço que não consigo explicar com palavras e um sentimento de gratidão maior do que o mundo, invade.
Nossa, quanta gente bacana eu conheci, pessoas generosas e que vibram com a vitória alheia!
Conheci o outro lado também…da decepção, inveja, falsidade e da mentira, putz, levei algumas puxadas de tapete que nem sei como fiquei de pé.
Mas isso não interessa, o que importa agora é levar a bandeira da solidariedade comigo, agradecendo a todos que me ajudaram até aqui, retribuindo da forma que sei e amo, contando a vida do jeitinho que ela é, e reforçando que com fé, paciência, determinação, disciplina e, acima de tudo, AMOR, damos conta de tudo nessa vida. TUDO!
Bom dia e uma excelente semana para todos nós!

LB

(Obrigada a todos que já doaram na campanha em prol do Hospital da Baleia. Ajude vc também!
www.hospitaldabaleia.org.br/muralhadachina )

Sobre a Tocha Olímpica e a Saúde do Brasil

vTava aqui pensando…concordo com a maioria das críticas/piadas que leio nas redes sociais sobre a chegada e o tour da Tocha Olímpica no brasil:

– Tocha chegou mas o antibiótico não;
– Troco tocha por leito de UTI.

E por aí vai…

Tudo verdade, a situação do nosso país realmente preocupa, vivemos um cenário de desemprego ( faço parte) catastrófico, crise na saúde, segurança, na educação, enfim, um caos.

Acontece, e não é porque eu sou uma das condutoras, que já está feito, as Olimpíadas – maior evento esportivo mundial – acontecerão aqui! Termos 42 modalidades esportivas, 12 mil atletas e o mundo todo de olho na gente, queiram ou não, na nossa casa.

A tocha traz ao Brasil mais do que a “chama eterna”, mas a lembrança de tudo o que o ser humano é capaz, que é possível unir as nações e termos sim um mundo melhor.

Essa chama representa algo que nós brasileiro estamos quase pendendo: a esperança.

Por isso, além de me sentir muito honrada, sortuda e privilegiada de poder fazer parte desse momento, acredito que deveríamos todos, não deixar de lado e nem muito menos esquecermos nossos problemas que são sim graves e reais, mas resgatarmos também a nossa leveza, nossa alegria e nossa famosa capacidade de acolher e receber bem, afinal de contas, ninguém tem culpa dos nossos problemas além de nós mesmos.

A mudança parte de cada um…e o fogo olímpico passando pelas mãos de gente comum, como eu e você é a prova disso.
Façamos pois, da vida, um grande espetáculo de amizade, fraternidade, cooperação e esperança…agora e sempre.
E para ajudar a saúde do nosso país, pare um pouquinhio de só criticar e faça a sua parte, doe aqui: www.hospitaldabaleia.org.br/muralhadachina
LB
#encaropelobaleia

O dia de amanhã

É…maio chegou, daqui a exatamente 2 semanas sigo pra China.

Frio na barriga?

Muuuuuito, mas junto uma sensação de “não é que mesmo dura, quebrada e desempregada eu consegui?!”
Graças a ajuda de amigos, vaquinhas, contribuições e claro, a Deus! Afinal de contas somos só instrumentos a seu serviço, acredito piamente e com todo coração nisso!
Pois é, muita gente não entende , alguns questionam e outros tantos julgam e até condenam: “como alguém que não tem dinheiro pra pagar a conta de luz vai pra China correr?”

Não tem problema…normal, entendo. Acontece que me comprometi, dei minha palavra e tenho uma dívida enorme.
Tenho uma dívida com todos que, seja pelo motivo que for, se inspiram na minha dedicação e esforço (e não tem sido NADA fácil), tenho um compromisso com essas pessoas, algumas que já me confidenciaram suas mudanças e batalhas e outras tantas que não conheço, mas que, sem querer ser piegas, “tornei-me responsável por as ter cativado.”

Tenho um compromisso com o Hospital da Baleia e com todos os pacientes que lá se tratam, preciso que essa campanha dê certo, e explico agora, pela primeira vez, porque…

No ano passado fui procurada por uma pessoa me pedindo que usasse os meu conhecimentos e relacionamentos nas redes sociais para ajudar uma moça, corredora, que teve uma das pernas amputadas em virtude de um câncer a conseguir uma prótese que a permitisse voltar a correr, a Bila.

Conversei com ela, que moça bacana, que astral, e ajudei como pude, fiz campanha, stand up, amigos como o Ronaldo, dono de um bar que reverteu parte da arrecadação de evento pra ela, também ajudaram, mas não foi o suficiente…eu não consegui, eu falhei.

Sim, eu falhei…

Como podia?! Consegui dinheiro para publicar o meu livro e não consegui uma prótese para uma moça tão bacana e generosa a ponto de me agradecer mesmo assim!

“Mundo cão! Tá tudo errado!”

E assim fui invadida por uma mistura de frustração e tristeza, escrevi sobre isso na virada do ano, publiquei como a minha pior derrota.
Acontece que essa é uma energia muito negativa, foi então que resolvi canaliza-la colocando todo meu esforço na campanha para o Baleia. Faria dar certo!

Então, o destino o acaso, Deus ou um simples “rolar de dados”, como queiram chamar, aprontou mais uma daquelas que nós, simples mortais, temos dificuldade de entender: “o câncer da Bila voltou…” – contou-me um amigo em comum.

Liguei pra ela, estava ofegante em virtude da doença que agora lhe afetara os pulmões e dos efeitos devastadores da quimioterapia a que se submetia.

Combinei de lhe fazer uma visita no dia seguinte, prometi não cansa-la e que iria embora na hora que quisesse (afinal convivi com uma paciente de câncer, minha mãe, durante 14 anos e sei bem como é… tem hora que a pessoa só quer ficar quietinha).
Fiz algumas graças e desliguei.

Não nos encontramos, Bila morreu na manhã do dia seguinte…dois meses atrás.

“Meu Deus, por que?”

Pois é, a pergunta que todos repetimos em vão, pois esquecemo-nos que esse é o fim de todos nós, e que teremos o conforto de estar ao lado de Jesus ( eu creio).
Acontece, que mesmo racionalizando ao máximo, a morte dessa moça linda foi para mim devastadora…

Eu falhei!!

Foi então que Deus, mais uma vez intercedeu e, em sua imensa sabedoria, me mostrou que eu poderia ajudar milhares de “Bilas”, e que talvez essa seja a minha missão.

E foi assim… foi assim que eu, uma senhora de 46 anos, mãe de duas filhas, arrimo de família, dura, desempregada, que fez sua primeira maratona há um ano, chegou até aqui e, em 14 dias, embarca sozinha para China para encarar a 6a maratona mais difícil do mundo, levando no bolso o suficiente para uma refeição por dia, mas na cabeça uma missão, a determinação maior que a própria muralha e, na alma o no coração, a fé de que aquela moça, corredora, risonha e generosa, para quem não consegui uma prótese, estará correndo comigo…um anjo que passou na minha vida e que me amparará e dará tudo certo.

E assim, cheia de gratidão, aceitando o Deus reservar para mim, eu vou… e peço agora que me ajude, não a chegar até lá, nem a completar a prova, mas a fazer a campanha dar certo…por mim, pela minha mãe, pela Bila e por milhares de pacientes que, como ela, precisam da nossa colaboração.

Ajudemos em vida, AGORA, ela passa muito rápido e ninguém sabe o dia de amanhã.

Amém.

LB

Pra Lembrar ou Nunca Esquecer

Ontem a noite, quando recebi a mensagem do Comitê Olímpico comunicando que, como condutora, poderia comprar uma réplica da Tocha e que para isto bastava pagar o boleto em meu nome no valor de R$1.900,00, meu coração parou.

Estava em reunião, não pude me manifestar na hora mas pensei: “onde vou arrumar esse dinheiro?”
Cogitei apelar pra família, mas confesso que é algo que prefiro evitar…
Daí, quando a reunião acabou, aflita, comentei com a minha sócia. Ela me olhou e disse: “Faz outra vaquinha, calma.”


Me senti como o menino do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, sabe? Tinha aquilo na minha frente, ao meu alcance, o “bilhete dourado” nas minhas mãos, mas a minha realidade não me permitia usufruir…
Cheguei a postar no “Face” que “lá vinha a nova vaquinha”.


Fui então assistir o jogo de basquete da filha (que por sinal fez sua primeira cesta em um jogo com súmula ontem e a mãe fica toda orgulhosa. Ainda mais com 11 anos, jogando com a equipe sub 13 e contra meninos!)


Daí, lá estou eu quando recebo um “whatsapp” da Coca Cola informando que eu não precisava me preocupar, que a tocha seria um presente pra mim.


Teria sido tudo pensado entre Comitê Olímpico e patrocinadores? Uma brilhante jogada de marketing? Não sei! É possível, e se assim for, merece os parabéns.


O que eu sei, é que assim como eu, milhares de outros condutores, naquele momento, devem ter se sentido especiais. Pessoas comuns, muitas delas muito mais humildes do que eu, e que irão “conhecer a fábrica de chocolate”, terão uma tocha, pra sempre! Pra lembrar (ou nunca esquecer) que pessoas comuns são capazes de feitos extraordinários, basta acreditar!

Obrigada!

LB


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Andar Com Fé

“Vinde a mim todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”

Mateus 11:28

 

Terça-feira é dia de treino.
Abri a planilha e dei de cara com 2km de aquecimento, 18km em ritmo de maratona e mais 2km de desaquecimento, totalizando 22km.

Faço isso em 2h10, o que é um tempo absolutamente normal, definitivamente não sou uma corredora rápida, mas são 2 horas correndo, direto…

Arrumei o lanche da filha e continuei minha programação mental: saio as 6h, corro até as 8h e pouco, vou direto pro estudo bíblico (deus não se importa com o suor), de lá direto pra outra reunião (gente nova, como Jesus, entendem).

Então, sentada na cama olhando fixamente para o par de tênis, falei baixinho pra mim mesma:

“É…tô muuuuuito cansada, de tudo!”

Cansada dessa (literalmente) correria da vida.

Cansada da política, da hipocrisia, da roubalheira, de violência, de gente falsa, da falta de amor, de companheirismo, de tanta responsabilidade, da eterna falta de grana, de não poder nem pensar em ficar doente e ter que preocupar com isso porque não tenho um plano de saúde e nem ninguém com quem possa contar por perto, alguém que se importe, de verdade.

Cansada de banco, de contas, de cobradores, de Telemarketing…

Cansada de whatsapp!

Cansada de ter que me explicar!

Nossa, como isso é chato…Quantas vezes tenho que dizer a campanha da Muralha China não é pro meu bolso, é para o Hospital da Baleia! As doações são feitas diretamente na conta deles, não vejo nem a cor do dinheiro! Tem gente morrendo lá, poxa! E eu só quero ajudar! Qual o problema?!? Por que? Porque convivi 14 anos com uma paciente de câncer, minha mãe, sei bem como é…

Cansada da desconfiança!

Cansada de sofrer pelo risco de perder as filhas e o único teto. Cansada de ter que ser forte e alegre o tempo todo!

Cansada…

Falta pouco pra viagem e isso causa ansiedade, eu sei, mas estou definitivamente muito cansada.

Então, voltei na frase lá do começo: “Jesus entende…”

Sim, ele é Pai!

E voltei pra cama, só hoje e só um pouquinho, preciso.

Obrigada Senhor, por me mostrar , mais uma vez, que sou só um “vaso de barro”… Peço que me guie, me de forças, sabedoria e que me proteja, estou em suas mãos….e vou dormir só mais um pouquinho.

Doação em vida.

Amém.

LB

#encaropelobaleia