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Pergunta aos Advogados e Juristas

Caros (as), a aprovação de novos direitos para empregados domésticos realmente me preocupa…

Não que eu seja a favor da exploração ou negue os direitos dessas esforçadas, inestimáveis e necessárias aliadas! Que, aliás, têm responsabilidades enormes e que deveriam receber bem mais do que recebem por tudo que fazem. Porém, não creio que devam ser enquadradas como funcionárias de uma empresa.

Minha casa, meu lar, não gera renda, não tenho LUCRO, portanto não é uma empresa, a relação aqui é outra. As ajudantes hoje, na maioria das vezes, ganham muito mais que um recém formado, livre de quaisquer deduções ou descontos.

Então, como mãe, arrimo de família e sem parentes próximos para ajudar (mãe já morreu e irmãos moram em outras cidades) não sei como vai ser…

Ora, se vivêssemos em um país que desse condições de trabalhar e criar as crianças sem a ajuda de uma colaboradora (colégio integrais acessíveis, educação gratuita de qualidade, transporte eficiente, saúde e segurança, entre outros fatores),  tudo bem,  eu nem discutiria, uma empregada doméstica seria realmente um luxo!

Mas essa, como todos sabemos, esta longe de ser a realidade brasileira.Imagino que isso não seja problema para um “senador”, primeiro porque a maioria deles são homens e, não neguem, nossa sociedade é machista sim, a responsabilidade de criar os filhos fica mesmo é com as mães. A vida da grande maioria dos homens (infelizmente) muda muito pouco quando se tornam pais, separados então…nem se fala. Além disso, senadores ganham bem, né? Até onde sei têm um monte de regalias. Por que eles não discutem isso?! Seria bem mais proveitoso para sociedade, não?!

Voltando ao assunto, veja bem, se para as mulheres conquistar o mercado de trabalho já é tarefa difícil, imagina agora para as mães que só poderão trabalhar meio horário para olharem a casa e os filhos? Estão fora da competição, né?!

E as empregadas doméstica que serão demitidas porque os patrões não podem arcar com esses novos ônus, serão absorvidas pelo mercado? Tem certeza? Talvez na minha vaga, né?

Tenho certeza que para os ricos não fará a menor diferença, já para quem precisa trabalhar…acho que vai complicar bastante. Da mesma forma, se for para seguir a lei à risca, tim tim por tim tim, e evitar transtornos, acho que vai ter muita gente desempregada e/ou se submetendo a empregos nada dignos. Fora isso, estimularão a clandestinidade, fraudes e riscos. (os estrangeiros no Brasil que o digam).

No meu (leigo) ponto de vista estão solucionando o problema criando outros, não contextualizaram a realidade do nosso pais.

Para quem não tem filhos e muito fácil julgar… a vida não vai mudar quase nada, daí rotulam quem questiona um projeto de lei tão mau elaborado como esse de “elite”, agora virei “madame”.

Madame?! Madame não trabalha 44 horas semanais, cuida de casa, das crianças e paga as contas…não mesmo! A madame de verdade nunca soube nem do que se trata um regime CLT.

Também não acho certo essas moças e moços trabalharem anos a fio e saírem com uma mão na frente outra atrás… Qual é a solução? Não sei, me digam! Pagamento por hora, contrato de prestação de serviço, previdência privada, sei lá! Só sei que a classe média não dá conta de segurar mais essa barra, eu pelo menos não. Talvez pensar nos dois lados fosse um bom começo…

Bem, sugiro que leiam o texto abaixo do meu amigo Alexandre Frossard, um pai exemplar que divide as tarefas do lar com a esposa (muito bem redigido por sinal para um post de facebook) e façam suas ponderações. Acho, de verdade, que o assunto merece a devida atenção.

“Advogados e Juristas me esclareçam:
Uma família que contrata os serviços de uma funcionária, colaboradora, secretária, empregada…etc. doméstica, agora passa a ter os deveres de uma empresa que, para pagar FGTS, multa rescisória, horas extras e adicional noturno, tem como base a geração de lucro e distribuição desse custo em seu produto, inclusive já criticado e apontado como fator de diminuição de competitividade das empresas brasileiras.
A equiparação nos deveres e direitos na relação entre emprego doméstico e os demais não levou em consideração os benefícios, SIM, BENEFÌCIOS!!! que os patrões dão aos seus empregados domésticos ao oferecerem sem custo adicional ao empregado a “hospedagem”, a alimentação, o material de higiene pessoal, mais os insumos e energia para sua lavanderia pessoal. (Vulgo casa, comida e roupa lavada).
A meu ver essa nova legislação piora a situação para os dois lados. Sou absolutamente a favor de direitos que garantam a segurança, bem estar e boas condições de trabalho para os dois lados, tanto patrões quanto empregados, mas sou contra medidas demagogas, que impõe condições esdrúxulas a uma profissão que tem lá suas características. Um cidadão assalariado terá como pagar as caríssimas multas rescisórias nas demissões sem justa causa? Por outro lado poderei (ou deverei) cobrar por copos e utensílios quebrados por esse profissional do lar, ou poderei apontar isso como justa causa? Quem será a testemhunha? Fala-se muito nos direitos dos empregados, mas eu poderei alugar o quarto de empregados do meu apartamento, e cortar a “janta” (fora das 8 horas diárias) dos benefícios que dou a ela(e)? Será que se eu cortar a “hospedagem” para não correr risco do adicional noturno e/ou horas extras ela vai achar melhor ter esses novos direitos mas ter de encarar o deficiente transporte público diariamente? Em países desenvolvidos, quando um casal sai a noite para um evento e não têm, como usual por lá, uma empregada doméstica para estar a postos caso algo ocorra com o filho menor e incapaz, é comum contratar adolescentes para assistir a casa durante a ausência. Mas isso seria ilegal no BR devido à proibição de menores para trabalho, mesmo que nessas condições. Também não temos as escolas com horário integral para nos adequarmos à condição de diaristas esporádicas para manutenção da casa, e podermos trabalhar o dia inteiro sabendo que as crianças estão na escola. Será que tudo isso está sendo levado em consideração? Talvez o tiro saia pela culatra, e tenhamos uma taxa grande de demissão e insatisfação de varias classes.” Alexandre Frossard

E aí, o que me dizem? Sei que o assunto é polêmico, complexo e envolve muitas variáveis , mas cabe pelo menos uma reflexão…

Boa noite pra você… (eu perdi o sono)

Laura Barreto

Os Ipês-Amarelos

Por Rubem Alves

Uma professora me contou esta coisa deliciosa. Um inspetor visitava uma escola. Numa sala ele viu, colados nas paredes, trabalhos dos alunos acerca de alguns dos meus livros infantis. Como que num desafio, ele perguntou à criançada: “E quem é Rubem Alves?”. Um menininho respondeu: “O Rubem Alves é um homem que gosta de ipês-amarelos…”. A resposta do menininho me deu grande felicidade. Ele sabia das coisas. As pessoas são aquilo que elas amam.

Mas o menininho não sabia que sou um homem de muitos amores… Amo os ipês, mas amo também caminhar sozinho. Muitas pessoas levam seus cães a passear. Eu levo meus olhos a passear. E como eles gostam! Encantam-se com tudo. Para eles o mundo é assombroso. Gosto também de banho de cachoeira (no verão…), da sensação do vento na cara, do barulho das folhas dos eucaliptos, do cheiro das magnólias, de música clássica, de canto gregoriano, do som metálico da viola, de poesia, de olhar as estrelas, de cachorro, das pinturas de Vermeer (o pintor do filme “Moça com Brinco de Pérola”), de Monet, de Dali, de Carl Larsson, do repicar de sinos, das catedrais góticas, de jardins, da comida mineira, de conversar à volta da lareira.

Diz Alberto Caeiro que o mundo é para ser visto, e não para pensarmos nele. Nos poemas bíblicos da criação está relatado que Deus, ao fim de cada dia de trabalho, sorria ao contemplar o mundo que estava criando: tudo era muito bonito. Os olhos são a porta pela qual a beleza entra na alma. Meus olhos se espantam com tudo que veem.
Sou místico. Ao contrário dos místicos religiosos que fecham os olhos para verem Deus, a Virgem e os anjos, eu abro bem os meus olhos para ver as frutas e legumes nas bancas das feiras. Cada fruta é um assombro, um milagre. Uma cebola é um milagre. Tanto assim que Neruda escreveu uma ode em seu louvor: “Rosa de água com escamas de cristal…”.
Vejo e quero que os outros vejam comigo. Por isso escrevo. Faço fotografias com palavras. Diferentes dos filmes, que exigem tempo para serem vistos, as fotografias são instantâneas. Minhas crônicas são fotografias. Escrevo para fazer ver.

Uma das minhas alegrias são os e-mails que recebo de pessoas que me confessam haver aprendido o gozo da leitura lendo os textos que escrevo. Os adolescentes que parariam desanimados diante de um livro de 200 páginas sentem-se atraídos por um texto pequeno de apenas três páginas. O que escrevo são como aperitivos. Na literatura, frequentemente, o curto é muito maior que o comprido. Há poemas que contêm todo um universo.
Mas escrevo também com uma intenção gastronômica. Quero que meus textos sejam comidos pelos leitores. Mais do que isso: quero que eles sejam comidos de forma prazerosa. Um texto que dá prazer é degustado vagarosamente. São esses os textos que se transformam em carne e sangue, como acontece na eucaristia.
Sei que não me resta muito tempo. Já é crepúsculo. Não tenho medo da morte. O que sinto, na verdade, é tristeza. O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui… Escrever é o meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês-amarelos…

CARTA DE ABRAHAM LINCOLN PARA O PROFESSOR DE SEU FILHO.

Foto: CARTA DE ABRAHAM LINCOLN PARA O PROFESSOR DE SEU FILHO.Já li essa carta trilhões de vezes e ainda vou ler mais umas centenas de milhares de vezes."Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, para cada egoísta, há um líder dedicado.Ensine-o, por favor, que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-o que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada.Ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso.Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho. Ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço. Deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.“CARTA DE ABRAHAM LINCOLN PARA O PROFESSOR DE SEU FILHO*

“Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, para cada egoísta, há um líder dedicado.
Ensine-o, por favor, que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-o que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada.
Ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso.

Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.

Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho. Ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço. Deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.“

(*)Já li essa carta trilhões de vezes e ainda vou ler mais umas centenas de milhares de vezes.


 

Banco Som Sabadell: flash mob e Bach em praça pública

Algum tempo atrás, flashmobs eram moda. Tinha pra todo gosto, desde dancinhas coreografadas, caminhada zumbis, tiroteios com mãos, uma série de ideias viraram hits no You Tube. Algumas não deram muito certo porque perdiam aquilo que torna a ação efetiva: a aparente espontaneidade. Nesse caso, o lado espontâneo do flash mob do Banco Som Sabadell, que nos seus 130 anos de vida promoveu esse encontro de músicos da Orquestra Vallès Symphony, the Lieder, Amics de l’Òpera e o coral Belles Arts, tocando parte do 4º movimento da 9ª Sinfonia – An Die Freude (Ode à Alegria) de Beethoven, está na música, um crescendo sonoro que vai sendo adicionado de outros sons e que termina numa imensa fanfarra musical que arrebata corações e mentes de homens, mulheres e crianças que foram sortudos de estarem nessa praça nesse dia.

Muito bom!

A MULHER E O BANHEIRO!

Por  Garance Doré
O grande segredo de todas as mulheres com relação aos banheiros é que quando pequenas, quem as levava ao banheiro era sua mãe. Ela ensinava a limpar o assento com papel higiênico e cuidadosamente colocava tiras de papel no perímetro do vaso e instruía: “Nunca, nunca sente em um banheiro público”.

E, em seguida, mostrava “a posição”, que consiste em se equilibrar sobre o vaso numa posição de sentar sem que, no entanto, o corpo não entre em contato com o vaso.

“A Posição” é uma das primeiras lições de vida de uma menina, super importante e necessária, e irá nos acompanhar por toda a vida. No entanto, ainda hoje, em nossa vida adulta, “a posição” é dolorosamente difícil de manter quando a bexiga está estourando.

Quando você TEM que ir ao banheiro público, você encontra uma fila de mulheres, que faz você pensar que o Brad Pitt deve estar lá dentro. Você se resigna e espera, sorrindo para as outras mulheres que também estão com braços e pernas cruzados na posição oficial de “estou me mijando”.

Finalmente chega a sua vez, isso, se não entrar a típica mamãe com a menina que não pode mais se segurar. Você, então verifica cada cubículo por baixo da porta para ver se há pernas. Todos estão ocupados. É sempre assim.

Finalmente, um se abre e você se lança em sua direção quase puxando a pessoa que está saindo. Você entra e percebe que o trinco não funciona. Ele nunca funciona. Você então pendura a bolsa no gancho que há na porta e se não há gancho (quase nunca há gancho), você inspeciona a área.

O chão está cheio de líquidos não identificados e você não se atreve a deixar a bolsa ali, então a pendura no pescoço enquanto observa como ela balança sob o teu corpo, sem contar que é quase decapitada pela alça porque a bolsa está cheia de bugigangas que você foi enfiando lá dentro, a maioria das quais não usa, mas que guarda porque nunca se sabe.

Mas, voltando à porta… Como não tinha trinco, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto, com a outra, abaixa a calcinha com um puxão e se coloca “na posição”.

* Alívio… AAhhhhhh… Finalmente! *

Nessa hora os músculos começam a tremer. Você está suspensa no ar, com as pernas flexionadas e a calcinha cortando a circulação das pernas, o braço fazendo força contra a porta e uma bolsa de 5 kg pendurada no pescoço.

Você adoraria sentar, mas não teve tempo de limpar o assento nem de cobrir o vaso com papel higiênico. No fundo, você acredita que nada vai acontecer, mas a voz de tua mãe ecoa na tua cabeça “jamais sente em um banheiro público!” e, assim, você mantém “a posição” com o tremor nas pernas.

E, por um erro de cálculo na distância, um jato finíssimo salpica na tua própria bunda e molha até tuas meias! Por sorte, não molha os sapatos. Adotar “a posição” requer grande concentração. Para tirar essa desgraça da cabeça, você procura o rolo de papel higiênico, maaassss, puuuuta que o pariuuuu! O rolo está vazio. Isso sempre acontece.

Então você pede aos céus para que, nos 5kg de bugigangas que você carrega na bolsa, haja pelo menos um miserável lenço de papel. Mas, para procurar na bolsa, você tem que soltar a porta. Você pensa por um momento, mas não há opção.

E, assim que você solta a porta, alguém a empurra e você tem que freiá-la com um movimento rápido e brusco enquanto grita OCUPAAADOOOO!

Aí, você considera que todas as mulheres esperando lá fora ouviram o recado e você pode soltar a porta sem medo, pois ninguém tentará abri-la novamente (nisso, nós mulheres nos respeitamos muito) e você pode procurar teu lenço sem angústia.

Você gostaria de usar todos, mas quão valiosos são em casos similares e você guarda um, por via das dúvidas. Você então começa a contar os segundos que faltam para você sair dali, suando porque você está vestindo o casaco já que não há gancho na porta ou cabide para pendurá-lo.

É incrível o calor que faz nestes lugares tão pequenos e nessa posição de força que parece que as coxas e panturrilhas vão explodir. Sem falar da porrada que você levou da porta, a dor na nuca pela alça da bolsa, o suor que corre da testa, as pernas salpicadas.

A lembrança de tua mãe, que estaria morrendo de vergonha se te visse assim, porque sua bunda nunca tocou o vaso de um banheiro público, porque, francamente, “você não sabe que doenças você pode pegar ali”. Nessa hora você está exausta.

Ao ficar de pé você não sente mais as pernas. Você acomoda a roupa rapidíssimo e tira a alça da bolsa por cima da cabeça! Então, vai a pia lavar as mãos. Está tudo cheio de água, então você não pode soltar a bolsa nem por um segundo. Você a pendura em um ombro, e não sabendo como funciona a torneira automática, você a toca até que consegue fazer sair um filete de água fresca e estende a mão em busca de sabão.

Você se lava na posição de corcunda de notre dame para não deixar a bolsa escorregar para baixo do filete de água. O secador? Você nem usa. É um traste inútil, então você seca as mãos na roupa porque nem pensar usar o último lenço de papel que sobrou na bolsa para isso.

Finalmente você sai do inferno. Sorte se um pedaço de papel higiênico não tiver grudado no sapato e você sair arrastando-o, ou pior, a saia levantada, presa na meia-calça, que você teve que levantar à velocidade da luz, e te deixou com a bunda à mostra! Nesse momento, você vê o teu carinha que entrou e saiu do banheiro masculino e ainda teve tempo de sobra para ler um livro enquanto esperava por você.

“Por que você demorou tanto?” — pergunta o idiota.

Você se limita a responder: “A fila estava enorme”

E esta é a razão porque as mulheres vão ao banheiro em grupo. Por solidariedade, já que uma segura a tua bolsa e o casaco, a outra segura a porta e assim fica muito mais simples e rápido já que você só tem que se concentrar em manter “a posição” e a dignidade.

Obrigada a todas as amigas que já me acompanharam ao banheiro.