Archive for Poesia

Olhe e acredite!

“Por que às vezes você  para e fica me olhando assim?”

Só aí notei que estava encarando. Quanto tempo teria? Não sei, mas certamente não era a primeira vez.

“Porque você é lindo!” – respondi de bate-pronto e rimos.

Depois parei para pensar nos verdadeiros “porquês”…

“Olho para não perder um segundo, para me perder nos seus olhos e mergulhar no seu sorriso.

Olho para me orgulhar do amor e do carinho que dedica aos filhos.

Olho para entender e aceitar as voltas que o mundo deu para nos encontrarmos.

Olho para acreditar e ao mesmo tempo para não criar expectativas e colocar em prática o desapego…

Olho para  viver bem cada segundo, deixando o medo de perder de lado ( como é difícil, né? Nós, os “escaldados” temos mesmo medo de “água fria.”), porém somos maduros e vividos o suficiente para saber que “não adianta fugir nem mentir pra si mesmo, há tanta vida lá fora…”- como diria Lulu.

Por isso olho…sem me cansar.

Olho para você para me ver por dentro. Olho para reforçar a sabedoria popular que diz que todas, absolutamente todas as pessoas nesse mundo, têm o direito de ser feliz. Sem depender do outro,  felizes apenas por acreditar.

Estou feliz, porque descobri que ainda acredito!

Olho porque que sei que a felicidade assim como as tristezas, passam… Quero aproveitar.

Olho para deixar de lado e exorcizar  os medos, as culpas e as expectativas, verdadeiros vampiros de energia, consumidores vorazes de bons sentimento.

Quero nutrir nosso amor, mas não apenas olhando e sim vivendo e acreditando. Para isso é preciso olhar para dentro, mudar e aceitar…tornar-se indiferente as antigas feridas, aceitando que não existem “escolhas erradas” e sim aprendizados mais duros, mas que nos fazem melhores e que, no nosso caso, foram também os responsáveis por um dia nossos olhares um cruzarem.

Olho porque fazemos bem um a outro e para os filhos de cada um, e isso, pra mim, é amor.

E assim, dia após dia, olho no olho, pretendo seguir.

Quando por ventura dúvidas surgirem (o que é inevitável)  procuremo-nos pois um nos olhos do outro. Assim, enquanto estivermos lá, haverá um motivo a seguir.

Acredite, amo você, não tenho porque esconder… assim como não tenho mais medo de contar e de me encontrar aí, nos seus olhos.

Por isso te olho assim…”

Laura Barreto

Foto: Olhos da minha filha Helena

No meio do caminho tinha uma flor!

Já chutei muita pedra, umas doeram só um pouquinho, outras me “arrebentaram”, algumas eu tropecei, outras tive que escalar ou pular para deixar para traz. Carrego algumas comigo, talvez para lembrar que nem tudo são flores, talvez por bobagem, um peso extra desnecessário ou que talvez sirva para  tapar algum buraco, quem sabe…

Um dia hei de descobrir.

Não sou Drummond, quisera eu ser! Tampouco sou escritora, muito menos poeta, sou uma simples “escrevedora”, que conta para quem quiser ouvir sobre as “suas pedras”, sejam elas preciosas ou não.

Então, hoje, do nada, entre um “ofício” e outro, recebo uma mensagem que me fez pensar que, por outro lado, nem tudo são pedras, que no meio do caminho também existem flores, muitas flores.

Como teriam ido parar ali? Semeadas ou trazidas pelo vento? Não importa, o que interessa é que cabe a nós darmos continuidade ao caminho, regar, proteger, cuidar e continuar semeando para que os que vêm depois também possam sentir o perfume e admirá-las.

E assim vou, tropeçando em pedras e recebendo (ou percebendo) flores, nesse caso em particular, do cerrado! Eu não fazia ideia…obrigada por me mostrar, que também sou responsável, fazemos todos parte do caminho, somos todos em algum momento flores ou pedras e, assim, construímos a nossa própria estrada.

Abraços,

Laura Barreto

P.S: Reproduzo abaixo a mensagem “causadora disso tudo”, enviada pelo leitor Wallace Soares, minha “flor do dia”!

“Eu de novo, para fazer um simples elogio. Todos os dias, enquanto trabalho (e trabalho muito como você), entro no Face em horários diferentes e sempre tem alguma coisa escrita por você que me emociona profundamente, às vezes, me alegra também.

Posso estar com milhões de problemas (todos padecem dessa situação), que por um instante fico ótimo. É claro que outras coisas me dão esta sensação, mas são muito poucas, minha filha de 6 anos é uma delas.

Meu obrigado por fazer de um hobby (ainda e por pouco tempo se depender de mim), o ofício de entrar no coração das pessoas.

Não sou puxa-saco, tampouco irei te “cantar” depois de me sentir íntimo. Sou apenas um puta admirador seu. Te adoro respeitosamente. Pena que eu moro em Brasília, gostaria muito de te ouvir contar piada ou falar palavrão rs.

Agora pouco antes de te escrever pensei uma bobagem, mas cheia de significado pra mim: No meio do caminho tem uma Laura. Tem uma Laura no meio do caminho. Um abraço daqueles que tanto gostamos, do tipo mais acolhedor possível.”

NO MEIO DO CAMINHO

Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Fico Bem

Não sei como você chegou, mas não quero que saia.

Adoro a conversa e nem ao menos reconheço sua voz…

Sinto saudades,  sinto vontade, me sinto a vontade!

Não sei se vai dar certo… e quem é que sabe?

Por acaso não foi,  nada é.

Sei  que é diferente, sei o que fez a diferença!

Adoro as provocações, o carinho gratuito e as preocupações.

Adoro as gentilezas e até a expectativa.

Adoro a calma, tanto quanto a incerteza. Tudo simples, tudo fácil, mas tudo real, como nem sempre é, mas deve ser.

E assim você chega  e eu me vou… os dois felizes, sem cobranças, culpas, ciúmes, medos, obrigações e todos os outros ranços que destroem  relações.

Estamos bem sozinhos e isso é fundamental para ficarmos juntos.

Quando encontramos, arriscamos, porque o máximo que pode acontecer é sermos muito mais felizes.

Chega logo que eu volto logo! Assim, desse jeito, te espero pra sempre e fico bem, muito bem.

P.S: Me pergunto quem será o autor… dessa proeza.

Laura Barreto.

<3

Carta Para Um Conhecido Desconhecido

Meu Anjo,

Eu gosto de você, muito… e olha que nem te conheço. Não, não são românticas expectativas adolescentes, tampouco posso ou quero provar nada,  estranhamente, eu simplesmente sei.

Sei que vamos gostar de conversar sobre tudo, horas a fio, ver filmes juntos e falar muita besteira.

Sei também que vamos brigar, algumas vezes por coisas bobas como a forma correta de se conjugar um verbo e quem sabe até sobre futebol. Divergiremos também sobre coisas mais importantes como ideologias, crenças, valores, criação e educação dos filhos…Porém, com a virtude dos sábios, teremos humildade para aprendermos um com o outro e, compartilhando, construiremos juntos o nosso conhecimento.

Andaremos de mãos dadas, descalços na areia, sem nos importarmos com mais nada. Planejaremos viagens e nos divertiremos sonhando com algumas que nunca chegaremos a fazer.

Comeremos torresmo com cerveja no meio da tarde de um dia qualquer, sem pensar nas calorias, no trabalho, em regras ou padrões. Da mesma forma, transaremos  com ou sem performances mirabolantes,  respeitaremos quando não estivermos à vontade, ou sem vontade, fantasiaremos mas nunca faltaremos com o respeito.

Cuidaremos um do outro, teremos paciência, ouviremos e nos afastaremos quando preciso for… Nos preocuparemos com nós mesmos e com os outros, mas nunca nos importaremos com o que irão pensar, agiremos de forma correta simplesmente porque é o que deve ser feito.

Não duvidaremos um do outro, sentiremos ciúmes sim, saudade e até raiva às vezes… mas nada que seja maior ou fuja da nossa racionalidade e capacidade analítica. Da mesma forma cada um viverá o seu tempo, sem pressa, mas juntos, comungando a felicidade alheia daqueles que realmente amam.

Construiremos uma casa arejada, com amplas janelas para que entre muita luz, que tenha as portas abertas e muita música.  Sentaremos para ler, tomaremos bons vinhos – daqueles que, como nós, ficam melhores com os anos – observaremos a vista, comentaremos a leitura e, de tempos em tempos, nos tocaremos só para lembrar que somos e devemos ser sempre únicos nesse mundo, mas que poderemos contar um ao outro.

Eu não te conheço ainda, mas sei que você está aí, em algum lugar, e que também pensa em mim.  Sinto que você sabe que “eu sou”, que existo, mas também não me conhece. Ou será que já estivemos juntos e um dia nos perdemos? Não sei…mas pode ser, por isso não procuro mais, não quero que nos percamos ainda mais. Porém, ao contrário do que talvez possa imaginar, não estou parada, só estou em paz e assim permanecerei, esperando que, em suas andanças, um dia me encontre.

Amém

Laura Barreto

Nos Perdemos

i think a part of me wills always be waiting for you.Dizem que quando nos perdemos de alguém, um dos dois deve permanecer parado para  ser encontrado.

Eu me perdi… portanto, permanecerei aqui, parada, quieta, esperando…

Calada, porque já falei demais, sorrindo, porque já  chorei demais. Se um dia, quem sabe, nos encontrarmos novamente , quando chegar, não se mova, descanse, esqueça a dor da perda e se perca em meus braços.

Se nos perdermos para sempre,  que na sua procura encontre alguém, e que eu, na minha quietude, fique em paz.

A vida, alheia as nossas vontades ou as nossas dores ( que são únicas e, por isso mesmo, imensuráveis), sempre segue.

Amém

Laura Barreto