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Quem nasceu pra rainha…

5:20h –  Acordei como se não tivesse dormido. Sabe aquela sensação de que você acabou de fechar os olhos e o despertador toca? Pois é…

“Corre menina, tem evento  (de trabalho) hoje a noite e não dá tempo de passar em casa!” – grita Pedro Augusto, meu único neurônio.

Ainda dormindo mesmo depois do banho, troco de roupa,  saia longa de renda preta, camisa  da mesma cor,  minha amada jaqueta de couro vermelho, anel de caveira (pra quebrar um pouco) e duas bolsas (no plural porque é muita tralha), sapatilha nos pés e salto em uma terceira sacola para tarde, no Palácio da Liberdade…e e lá vou eu espera a van.

Com essa roupa e maquiada sento-me o no meio fio. Que se dane, estou cansada e com sono! Parece que nem dormi… “la nave” chega e sento lá no fundo como de costume, ultima poltrona, no meio, porque, apesar de pular muito, dá pra esticar as pernas. Celular conectado na internet, checo os e-mails, escrevo besteiras no Faceblá e assisto o jornal da manha na TV (a “Kombi” é chique, tá pensando o que?), tudo ao mesmo tempo!

Então a conversa entre os colegas companheiros de todas as manhas durante 1:20h ( ida e volta 2:40h) começa a fluir e largo tudo para ouvir e palpitar. ADORO!

De repente alguém me elogia, fala que estou bonita. Agradeço e comento: “ “Muito obrigada, você não faz idéia o quanto  eu precisava ouvir isso, tenho sérios  problema de auto-estima”

Falei em tom de brincadeira, mas não estava brincado, é sério, tenho mesmo.. e .ainda aproveitando o momento de catarse completei: “Acho que é porque quando eu nasci eu era tão feia, mas tão feia, que a minha mãe até achou que eu tivesse alguma síndrome. Imaginem um bebê magrelo “zoiudo”,branquelo, de cabelo preto arrepiado e com uma penugem nas costas que descia até a bunda como uma crina? Essa era eu! Não dava nem para falar ‘que neném bonitinho’, saca?”

Passada a gargalhada geral minha colega de van e de setor fala: “ Que isso Laura, que bobagem, sabe como você é conhecida lá no trabalho? “Aquela bonita que senta em frente ao gabinete”.

Gzuis, Mary and Joseph! Será que sou eu mesmo, às vezes se enganaram! Não, sou eu mesmo, e quer saber, chega dessa bobagem!

Essa crise não me pegou nem na adolescência, agora é que não rola! A vida inteira minha mãe, esperta e usando os

seus poderes para o bem ( psicóloga), me fez acreditar que eu era bonita.

Com isso passei pela adolescência e emendei na juventude muito bem, obrigada. Aliás,talvez até demais…namorei foi muito e, “moléstia à parte”, alguns dos caras mais bonitos da nossa roça iluminada.

Depois da separação, já adulta, caí nessa bobagem de achar que eu “já era”, auto-estima no chão…ainda mais depois de uns dois ou três ‘tocos” que andei tomando, aí que a coisa piorou. Eu olhava para os caras e pensava:” Poxa, se eu perdi pra isso vou empatar com quem? ”

Não tinha percebido esse auto flagelo tão claramente até hoje! Nada como uma boa terapia “de van” para clarear as coisas.

Quer saber? Tenho orgulho dos meus 43 anos, sinto-me muito bem como estou. Que se dane o resto!

Pode parecer papo furado, “pieguice’, lugar comum ou seja lá o que for , mas é a mais pura verdade, quando a gente está feliz, ficamos lindas! . O sorriso é sem dúvida a curva mais bonita do corpo de qualquer mulher.

Não tenho que me preocupar em ser bonita, só em ser feliz!

E “simbora” pro Palácio, quem sabe meu príncipe não está lá? E, de mais a mais, quem nasceu pra rainha, com crina ou não, nunca perde a majestade!

Beijos e obrigada aos meus amigos e “terapeutas de plantão” da van. Vocês me fazem muito bem!

Laura Barreto

Foto: Lustre do hall de entrada do Palácio da liberdade – BH/MG

Eu que tirei! Definitivamente sou uma pessoa “neoclássica”.

Cap. 4 O Herói Malverine

 Capítulo inédito da mini-série Vodivã

Diário de bordo.
Data estelar:  quarta-feira, 03 de outubro de 2012.
Data psicológica: Não sei…mas amanhã é sexta!

No último capítulo Vanzete – musa e ídala da van-  apelava para  todos os santos e até para Nossa Senhora em busca de um marido BOM.  O “bom” é sempre enfatizado por ela quando alguém toca no assunto.

Malverine, o herói da van, intercede perguntando os “por quês”  e colocando as coisas de forma clara e prática: “Quer ter encontar alguém? Tem que estar aberta para conhecer, sair e arriscar. Santo Antônio não vai fazer aparecer uma cara na sua casa por osmose”

(Congela a cena em Malverine, entra “lettering” com o letreiro narrado por… Por quem mesmo? Por mim, uai!? Minha voz é ótima, diz um amigo que tenho o timbre da Marina Lima, fora o sotaque, tá bão demais!)

O nome verdade de Malverine Alter é… Sinto muito, mas não posso revelar ou teria que matar todos vocês. Mas podem chamá-lo de Malve, tá?

Idade: 23 anos

Profissão:  Super herói, gerente de projetos e gato nas horas vagas

Status de relacionamento: Malverine está em um relacionamento sério (entra som de “ahhhhhhhhhhh” e fecha câmera nas passageiras da van que, nesse exato momento ,estão com olhinhos do Gato de Botas do Shrek olhando para o nosso super herói)

No estudio, cena congelada ao fundo, entra a apresentadora ( eu também, recurso escasso e ego em alta) e fala:

– Estaria Malverine certo? Como um rapaz de 23 anos consegue mobilizar  e calar tantas mulheres juntas em uma nave pequena durante 1:20h? Quais  os segredos e poderes do  herói? Seria possível para um ‘homem comum” utilizar tais poderes? Não perca hoje, no “Ócio do Ofício” .

Entra o break – anúncio da Apple, nunca vi… não precisam, né? Mas comigo eles vão querer, irão implorar! Mesmo porque teremos aplicativos inovadores e exclusivos associados ao programa. Que tal? Taí, pode ser o Google também, Android. Me disputem mestres! (ego em alta mesmo! hahaha)

Pedro Augusto, meu único neurônio, cansado dessa palhaça grita da coxia: “ Laura, fecha essa matraca, não me torra a paciência e segue o texto!”

Ok, ok! Não precisa ficar nervoso, uai. Então, pra resumir, é o seguinte: Malverine mobiliza as atenções e deixa todas as mocinhas, senhoras e senhoritas hipnotizadas por um simples motivo: ele é gay!  BRINCADEIRA!

Na verdade, ele tem paciência, ouve de verdade ( talvez esse sim seja um poder), dá conselhos, é gentil (abre a porta, cede lugar, oferece ajuda, etc), é simpático, sorri e, para completar, nem precisava ser, mas é, bonito! Mas, lembrem-se, nosso herói é comprometido e a van está cheia!

Moral da história: Todos os homens podem ser “super”, basta querer!

No próximo capítulo: Guardião e Oráculo, os senhores da van e a saga da banana caturra.

Não percam!

Laura Barreto

P.S: Ah se eu tivesse 20 anos a menos! Sra. Malverine na certa! hahaha