Uma das minhas lembranças mais remotas me leva aos meus 7 ou 8 anos. Estou em casa, no bairro Santo Antônio, não sei se de férias ou se é um simples final de semana. Minha mãe me deu um monte de cartolinas, cola, tesoura e papeis coloridos.
Lembro-me da sala com carpete alto verde escuro, da grande janela de vidro com cortinas do teto ao chão com estampas de samambaias e uma enorme estante de madeira escura na parede do fundo onde ficavam a TV, som e um monte de enciclopédias e coleções de livros que D. Letícia (mom) adorava.
Eu vivia escalando essa estante, criava mapas de tesouro, queimava as beiradas para que parecessem antigos e escondia dentro dos livros para que alguém um dia os encontrasse.
Nesse dia peguei a cartolina e fiz uma casa com janelas vermelhas. As janelas abriam e dentro de cada uma tinha um verso que eu tinha criado. Lembro de pegar o dicionário Aurélio e procurar, à esmo, palavras que rimassem com coração. Recordo-me de um dos versos: “Amar com propulsão, lá de dentro do coração.”
“Propulsão” foi achada no dicionáro e encaixou bem na minha janela…
Muitos anos mais tarde minha mãe escreveu um texto intitulado “ A Casa que eu Sou”, simplesmente maravilhoso. Saudade dela.
Não sei se os mapas do tesouro foram encontrados…continuo desenhando-os, na minha cabeça, mas já encontrei meus tesouros: Isabella e Helena. Continuo também construindo minha casa com a matéria prima que minha mãe me deu e dentro dela sempre terá muito amor.
Não precisamos muito mais do que cartolina, papeis coloridos, um pouco de curiosidade, vontade e muito amor para realizarmos nossos sonhos. E essa é a casa que eu sou. Acredite!
E que assim seja, amém!
Laura Barreto
Nossa, Laura… Esse texto tocou a minha alma… Me fez lembrar dos tesouros que eu inventei, de outros que ganhei e de tantos que conquistei e escondi. E, tantos anos depois, eu ainda não os desenterrei pq ficava à espera de que alguém os encontrasse. Mas fui ingênua demais e me esqueci de que as pessoas estão muito ocupadas em contar moedinhas e lhes falta “propulsão” para ir em busca de algo que realmente tenha valor…
Então, vou mudar. Vou desenterrar meus tesouros e parar de esperar quem os encontre. Vou desfrutar de cada um deles, da riqueza acumulada durante uma vida toda… E, no fim, quando eu olhar dentro da minha janela na cartolina, quero esboçar um sorriso e ter a certeza de que eu cuidei bem da minha casa e dei valor a todos os meus tesouros!
Um beijo grande e obrigada por compartilhar comigo algo tão nobre e de tanto valor.
Beijo,
Eli.
Eli,
Que lindo, vc entendeu tudo! snif, snif… Busque sim seus tesouros, desenterre-os, desapegue, simplifique e seja muito, mas muito feliz!
Beijos,
Laura
P.S: Leia o texto da minha mãe, é só clicar no nome aí no texto mesmo,coloquei o link. Vc vai amar!
Sem palavras…