LEVEZA

O pessoal do jornal O TEMPO e Pampulha foi la no Albergue na segunda-feira, fazer uma matéria sobre o grupo de corrida “Corredores da Rua“ que eu tanto me orgulho de ter sido convidada como madrinha.

O grupo faz parte de um projeto maior, idealizado pela coaching Erica Machado , batizado como “Trem das Sete“, que tem como objetivo,entre outras coisas,resgatar a dignidade de pessoas em situação de rua.

No dia,como eu estava com a coluna travada e a lombar ferrada (ainda não estou 100%) ,não consegui participar da entrevista…fiquei um pouco triste sim,queria estar lá,mesmo porque já me afeçoei ao projeto e às pessoas.

Sim,só pra lembrar: São pessoas!

Somos todos!

Pois bem,voltando ao assunto, daí ontem uma produtora do jornal me ligou ,queria muito uma fala minha,estava na pauta isso,perguntei se poderia se por telefone mesmo,reforcei que o projeto nao era meu,mas que havia ficado lisonjeada com a atenção, e me coloquei à disposição.

Toca o celular,ela novamente falando que uma jornalista e a fotógrafa iriam ao meu encontro.

Marcamos no Mocca,ao final do meu expediente como hostess (nome chique de recepcionista).

Então as duas chegaram,sentamos em uma das mesas logo na entrada e começamos a conversar, lembrei de como e porque o blog e a mania de escrever começaram,de quando a corrida entrou na minha vida, dos motivos,da perna quebrara durante a primeira maratona,do desemprego,da geladeira vazia,da opção de ser feliz e nunca mais escrava do trabalho ou do dinheiro,apesar de todos os apertos…da solidão.

Falei da perda de amigas,da incompreensão de muitos em relação às minhas escolhas e do meu duro aprendizado em relação a “compreender a incompreensão“.

Me peguei refletindo em voz alta sobre apredizado,mudanças, respeito,amor,desapego e fé…

Falei do padrinho do projeto, o peregrino Bê Sant’Anna e sua jornada de 2500km a pé em busca de si mesmo e da descoberta do único caminho, o do amor.

Chorei algumas vezes,a linda e doce repórter fotográfica,Mariela (que depois descobrimos, foi minha colega de capoeira) se emocionou também,mas me lembrou que era melhor conter as lágrimas,ainda faríamos fotos.

Joana,a jornalista,muito profissional,não chorou, anotava tudo e me olhava nos olhos,dentro da alma,dei um livro meu pra ela, um pouco com vergonha, pois não acho que escrevo tão bem quanto uma jornalista…

Escreveu sobre pacientes terminais e morte,vai sair em um caderno especial, não sei quando,mas quero ler.

Lembrei da minha mãe,falei dela com o orgulho de sempre…que saudade,que bom exemplo,como o que eu espero conseguir ser para as minhas filhas.

Duas moças do bem,super interessantes e inteligentes.

Reforcei várias vezes que o projeto era o foco e não eu…eu sou só instrumento.

E sou!

Uso o que tenho,sei e gosto de fazer,CORRER e CONTAR para ajudar, mais nada. O resto,ou melhor, o TUDO, é resultado da união de várias pessoas “do bem“ ,cada uma com sua crença,trabalhando para Deus e e para o bem do irmão…isso se chama AMOR.

O que poderia ser mais importante que isso? NADA!
O que recebemos em troca? TUDO!

Mais amor!

Impagável.

Não sei o que vai sair (nem quando),mas sei que encontrei mais duas pessoas de alma nobre, e só isso já valeu.

Então,depois de muitas poses com tênis doados,minhas poucas mas queridas medalhas,troféu e tocha olímpica, a fotógeafa tira do pescoço um colar com a palavra “LEVEZA“ e me da de presente.

Me viro pro vidro espelhado, cheio de recadinhos de clientes que instituí no restaurante para colocar o colar e dou de cara com a frase. “Um dia isso tudo acaba,um dia não estaremos mais aqui, aproveite a vida, seja LEVE.“

Coincidência? Talvez…gosto de pensar que é Deus “passando a cola“,pequenos milagres que acontecem diariamente e que muitas vezes passam desapercebidos.

Então é isso,espero mesmo que não nos preocupemos tanto, busquemos nossos sonhos,que sejamos mais solidários, fraternos,que desapeguemos e, assim,sejamos LEVE!
E que eu ainda possa viver muito pra correr,amar e contar!

Amém.

Para ler a matéria, clique aqui.
#voucorrendo

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