Perdas e Ganhos

Tava aqui pensando…
Eu não fumo, bebo pouco, (mas quando bebo, bebo muito, se é que me entende), não jogo, não uso drogas, não sou daquelas que precisam comprar e vivem no shopping, (aliás nem sei o que é “comprar pra mim” mais), não tenho namorado, raramente saio sem ser para trabalhar ou correr, não sou fanática com política ou religião (apesar de detestar o PT e fazer meu estudo bíblico, não torro a paciência de ninguém com isso), aos 46 anos, vivendo de “bicos” desde perdi meu último emprego em maio de 2015, quase dois anos e com duas filhas lindas e queridas mas adolescentes…fase onde “coisas” contam muito.
Trabalho desde os 18, já tive salários de dois dígitos, conheci e circulei no meio de empresários , políticos e até da realeza (de verdade), assim como também já fui supervisora de telemarketing trabalhando todos os finais de semana e servi mesas em festas de casamento.
Tive vida “Doriana”, casa de 5 quartos, 3 suítes, duas labradoras (que saudade, das cachorras, digo). Perdi tudo na mesma época, fui trocada, humilhada, abandonada, rejeitada inclusive na casa do pai, dormi em um colchão no chão e fiquei sem luz algumas vezes. Perdi minha mãe e minha filha foi submetida a uma cirurgia de emergência, tudo no espaço de 7 dias. Perdi a missa da minha mãe pq estava no hospital com a filha…
Me reencontrei escrevendo, publiquei um livro, subi nos palcos pra contar isso tudo, acredite se quiser, com humor! Adotei a causa do hospital da Baleia (quero ser útil nessa vida). Me apaixonei pela corrida, perdi amigas de anos que não entendem o meu “novo eu” e não suportam minha exposição, fiz novos amigos, descobri que tem gente muito boa nesse mundo, que procura não julgar e se coloca no lugar do outro, de verdade. Eu mesma tenho tentado praticar isso, até com quem me detesta.
Perdoei meu pai, pessoalmente, e acreditem, não foi fácil, mas quero o bem dele, e isso é amor.
No meio disso tudo, conduzi a tocha olímpica que doei, corri duas maratonas, dentre as mais difíceis do mundo , fiquei super bem nas duas…não recebi os parabéns de quase ninguém de quem eu esperava. Parente próximos nem “curtir a foto” não curtiram…vai entender. Aliás, temos que entender! “Cada um é cada um.”
Meus vícios? Correr, escrever, pensar (as vezes demais), ajudar e redes sociais…
Tente me entender, não quero ser rude, mas isso aqui é o que eu tenho, não me peça pra sair…já perdi coisa demais.

LB

(para minha mãe, essa sim, uma perda irreparável, tentando aprender a ser igual a você)

3 comentários

  1. Elizabeth Alvarenga disse:

    Você é um ser humano admiravel!
    Resiliente,lutadora,inteligente,exemplo para suas filhas e demais pessoas.
    Eviscera seus sentimentos sem medo!
    Aplaudo a mulher maravilhosas que voce é!

  2. Heloisa Penha Pino disse:

    Não tenho o que falar, mas quero deixar um abraço.

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