“Em caso de despressurização máscaras individuais de oxigênio cairão automaticamente. Puxe uma delas para liberar o fluxo, coloque sobre o nariz e a boca, ajuste o elástico e respire normalmente, auxilie crianças ou pessoas com dificuldade somente após ter fixado a sua.”
Já prestou atenção nesse discurso? Parece egoísta? Não é!
Se você ficar sem oxigênio não poderá ajudar ninguém! Na verdade, será mais um para dar trabalho.
Podemos extrapolar o tal procedimento para muitas situações na vida, momentos nos quais precisamos de um tempo só nosso para depois poder fazer algo por alguém.
Passei por uma emergência dessas, graças a Deus pousamos com segurança. Hoje consigo ver isso, coloquei a máscara primeiro em mim, para só depois ajudar as meninas.
Parece cruel, eu sei. Aliás, ninguém sabe tanto quanto eu. Durante bastante tempo fui minha própria carrasca, com punições e auto flagelos – conscientes ou não – totalmente desnecessários. E nem por isso fui polpada, pelo contrario, o julgamento alheio costumava ser impiedoso, e de quem menos se espera: “Você viu, Laura não está nem aí para os filhas” – condenavam.
Não é que eu “não estava nem aí”, eu simplesmente não dava conta.
Também não fui a primeira e nem serei a última, muitas mães quando se separam perdem todos os instrumentos de navegação, voam as cegas, perdidas… Aí, aproveitando-se da falta de ar na cabine, da desorientação, solidão e do sentimento de fracasso, as filhas da mãe da culpa e da auto-piedade tomam conta de tudo! Putz, como é difícil, que dor, que culpa, que vergonha…
A gente quer colocar a máscara nas crianças, mas não consegue, não mesmo. Está errado? Não sei. Pode ser que faça parte do processo de crescimento, de rupturas ou talvez só proteção mesmo, fuga, pura e simples.
O que eu sei é que a tal da culpa com o reforço da comissão julgadora sádica, tornam-se um veneno que contamina e consome. O tempo que isso dura depende de cada um e passar a mão na cabeça nessas horas só piora. Por mais estranho que pareça a situação torna-se de certa forma “cômoda”, afinal de contas é sempre mais fácil colocar a responsabilidade nos outros.
“Tadinha, está precisando de ajuda. E as criança? nem me fale…” – repetem.
Então, como tem gente com “dó”, a infeliz recebe a atenção que acha merecer e emburaca cada vez mais! Nesse caso uns puxões de orelha e “prestenções” são mais do que necessários. But atention please, é possível fazê-lo sem machucar, tá? A cutucada não é para ferir, só para acordar!
Quando tempo isso dura? Depende de cada um, portanto, “take your time”…mas lembre-se que existem outras pessoas no mesmo vôo que precisam e se espelham em você. Fique bem e elas também ficarão, a recíproca é mais do que verdadeira.
Portanto, puxe a máscara para você sim, o tempo mínimo necessário para recuperar o fôlego! Depois jogue a culpa fora, esqueça os julgamentos e corrija o que for preciso. Nada que uma boa terapia, o tempo e amigos (de verdade) não resolvam. Faça a coisa certa, aceite as mudanças,na certeza de que suas atitudes falarão por você e mais nada.
Não há problema nenhum em seguir sozinha, não coloque a responsabilidade da sua jornada no outro. Respire fundo!
Concentre-se em seguida em quem necessita e dê-lhes condições de respirar. Ajude-os , sem mágoas ou culpa. Lembre-se: a culpa destrói, atrasa, isso quando não leva você e quem está ao seu lado para o chão! Coloque em prática, antes de entrar em casa escreva a palavra “culpa” em um pedaço de papel, embole e jogue no lixo. Dá certo, falo por experiência própria. Criar filhos e viver sem a maldita culpa é muito mais saudável.
Agora é hora de assumir o comando da própria vida, recline sua poltrona, relaxe e tenhamos todos uma boa viagem!
Ah, e você de fora, se não pode ajudar pedimos por gentileza não atrapalhar. A viagem é longa e esse mundo dá muitas voltas, ok? Obrigada!
Laura Barreto
P.S: Texto inspirado nas palavras da minha querida amiga Sandra, muito obrigada!
Nossa Laura, estou impressionada….como acho que não existem coincidências e sim um Deus que olha por nós… Estou aqui na casa de um amigo, e estávamos conversando exatamente sobre isto em relação a uma pessoa muita amada por mim, que quero muito ajudar, mas não sei mais o que fazer. Fiquei muito emocionada com o que li e espero poder ajudar esta pessoa, mas agora, de outra maneira! Mais uma vez, PARABÉNS!!! Bjos
Amo a Adele, ela é linda e gordinha.
Amo vc também. Que é linda e “maguinha” (apesar de ser maluca e ter mania de fazer regime!).
Boa viagem.
http://youtu.be/4GROx0DxRrg
MUITO AIR PRÁ VOCÊ!
Laura, um texto lindo e maduro. Fácil não é, de jeito nenhum, tocar a vida “sozinha”, com filhos pra criar.
Tenho uma filha separada, que tomou a decisão ela mesma, mas não sem sofrimento. As pessoas costumam achar que quem pede a separação está bem, “saiu por cima”, o que não é fato. Minha filha tinha uma bebezinha de 7 meses e voltou pra minha casa. O mais que pude, ajudei-a a se levantar. Porque a queda acontece, é um baque na vida de qualquer um.
Desejo a você e suas filhas uma viagem de alegrias e uma vida sem máscaras. (Adotei você, não tem jeito.)
Muito Obrigada Lúcia e Alice! Beijos!
[...] de BH: http://www.ociodooficio.com.br/pelamordedeus/tipos-na-balada-de-bh/ Para mães separadas: http://www.ociodooficio.com.br/pelamordedeus/procedimento-de-emergencia/ O que os homens não deveriam usar [...]
[...] Bem, mas o que interessa é que definitivamente precisamos estar bem para poder ajudar o outro: “Em caso de despressurização máscaras de oxigênio cairão automaticamente, coloque-a sobre o nariz e a boca e respire normalmente, somente depois ajude quem estiver ao seu lado.” Norma básica de segurança.Já escrevi sobre isso. [...]