Tenha Compaixão

Logo cedo fui ler as notícias na  internet, hábito que cultivo e pretendo preservar, vou primeiro nos sites nacionais depois na imprensa local. Profissionalmente preciso saber o que está acontecendo, aliás acho que é um dever civil inerente a todos, mas isso é outra história.

Pois bem, para minha surpresa dou de cara com na notícia de um assassinato  onde o principal suspeito e a vítima eram meus conhecidos…ou até mais do que isso, pois na nossa” rocinha” que é BH todo mundo se conhece. Namorei por um bom tempo um amigo do cara, saíamos juntos com frequência. Que aliás era (é) muito boa pessoa, simpático e educado.

Agora o caso não sai da minha cabeça… Como pode meu Deus?

Sei que casos semelhantes acontecem diariamente em números assustadores por todo Brasil, passamos por eles como se fossem muito distantes ou como se nunca fosse acontecer com a gente.

Pois é, mas não são…crimes contra mulheres são muito mais frequentes do que imaginamos e, apesar da lei Maria da Penha, ainda são tratados muitas vezes (ou na maioria delas) de forma preconceituosa, machista e cheia de tabus.

Como mãe, o que mais me perturba  nessa história são as crianças, vítimas inocentes e nesse caso em particular praticamente testemunhas oculares, já que estavam presentes e provavelmente  viram a mãe morta…

Meu Deus! (acho que repeti essa frase mentalmente pelo menos mil vezes)

Inevitável não pensar: Onde estaria Deus nesse momento?”  Como é que ele deixa atrocidades como essa acontecerem? Quanto sofrimento! Que mal é esse que consegue ser maior que a vida? Demônio, capeta?

Não, isso não tem nada a ver com Deus ou com o capeta, nem com dinheiro ou com a falta dele. Também não tem a ver com educação, é muito fácil culpar os pais por tudo… Isso tem a ver com todos, com tudo e com cada um de nós.

Sim, eu e você somos responsáveis!

Todas a vezes que fechamos os olhos para problemas da sociedade, que pensamos só em nós mesmos, que tentamos usar o famoso “jeitinho”  ou achamos que estamos blindados em nossas  cascas de classe média ou alta, estamos aumentando a chance de deixar uma criança órfã…

Deus não falta nunca… o que nos falta é vergonha na cara.

Então agora o que nos resta é rezar para que Deus acolha essa mãe que se foi tão cedo, olhe  pelas crianças, avós (paternos e maternos) e que  tenha compaixão  e piedade pelo pai, que errou muito e que,  imagino (espero), deve  estar sofrendo muito também.

Peço também a Ele que abra os nossos olhos e nos torne menos arrogantes e egoístas e assim, só assim,  teremos todos uma vida mais fraterna,  calma, simples e repleta de felicidades.

Eu sei que dá raiva, revolta e até ódio, mas esses sentimentos só alimentam ainda mais violência…também não estou dizendo que devemos aceitar, nem muito menos “deixar pra lá”, mas que devemos sim ter compaixão.

O resto cabe à justiça  e a Deus julgar…deixemos, portanto, a cargo deles.
Que Deus olhe por nós e que nós olhemos para Ele.

Amém

Laura Barreto

compaixão
com.pai.xão
sf (lat compassione) Dor que nos causa o mal alheio; comiseração, dó, pena, piedade.

6 comentários

  1. Lúcia Soares disse:

    Laura, penso como você, é muito difícil e complicado julgar os outros.
    Uma moça linda, jovem, mãe, filha, profissional.
    É desesperador pensar no que aconteceu. Só nos resta mesmo ter compaixão desse marido e pai, que não soube cuidar de sua vida e nem a deixou cuidar da dela, e cometeu esse ato insano.
    O que menos devemos fazer é julgar.
    Beijo!

  2. sandra tropia disse:

    Também fiquei pensando na tristeza desse fato hj. Muito triste. Eu a conhecia mas não consegui me lembrar de onde. Não sei se me bloqueei.Estranho! Muito triste…muito triste pensar no futuro das crianças! Sem mais…

  3. Fernanda disse:

    Estou imensamente triste, pois conhecia a Nica (Ana Alice)…
    Que mundo eh esse?!? Também não paro de
    pensar nesse assunto…24h…chocada! Que Deus
    conforte a família dela! Que pena eu estar longe e não
    poder oferecer um abraço para sua Mae e Irma…

  4. Cristiana Ribeiro disse:

    Laura, seu texto diz o que tb estou pensando e sentindo. Nao da para ignorar tamanha atrocidade, feita por quem ela convivia ha 20 anos! A violencia dos fatos foi capaz de superar o vinculo paterno, pois os filhos alem de nao terem sido poupados da perda prematura da mae, sequer foram poupados de ver a cena, que chocou aos mais vividos que la estiveram. Encontrei com eles no ultimo Janeiro e fico na memoria com a imagem de uma mae linda, brincando com seus dois filhos na beira da piscina. Nao da para acreditar que 20 dias depois ela seria morta pelo mesmo homem que estava ali, a seu lado.

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