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Olhos de Quem Vê

Experimente elogiar, sorrir, entender, ouvir… Procure não sofrer por antecedência, ache saídas, ou pelo menos novas janelas. Veja com outros olhos. Simplifique, desapegue!

Divirta-se com e de você mesmo. Não deixe que palavras te levem para baixo, acredite em você,  goste e cuide bem da sua cabeça e  dessa carcaça que Deus lhe deu, são peças únicas. A beleza ESTÁ nos olhos de quem vê e por mais que digam o contrário, você é lindo (a), perfeito (a), uma obra de arte! Uns podem até não concordar, e daí?

Van Gogh morreu sem vender um único quadro e ninguém me tira da cabeça que cortou a orelha por causa de um pernilongo ( ô bichinho enjoado! kkk), Frida Kahlo tinha bigodes, teve paralisia infantil, sofreu dois graves acidentes , colecionou amantes (de ambos os sexos) e se tornou  uma das mais importantes artistas de todos os tempos.

 Frida sempre pintou a si mesma: “Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”.  Suas angustias, vivências, medos e principalmente o amor pelo marido Diego Rivera, que também não foi nenhum santo, são evidentes em seus quadros.

Esses artistas, hoje aclamados pela crítica e autores de obras milionárias, viveram tempos difíceis, beirando ou vivendo na loucura, sempre na corda bamba. Deixaram como legado suas dores e amores, para sempre. Estão aí para, quem sabe, nos ensinar alguma coisa.

A diversidade constrói,  colore, enfeita e torna o mundo e vida não mais fácil, mas pelo menos mais interessante.  Infelizmente perdemos, ao longo dos anos, o que para mim é a evidencia mais contundente da existência de uma força maior, de um Deus acolhedor e bondoso: a inocência, pureza e o amor incondicional das crianças.

A medida que vamos crescendo, inevitavelmente e sem perceber, somos contaminados por paradigmas e preconceitos imbecis, ficamos feios, mais por dentro do que por fora… algumas vezes chegando ao limite de questionar se realmente vale a pena, alguns chegam a pensar em desisitir de tudo, da vida.

Mas sempre é tempo de mudar, precisamos de uma plástica sim, mas na alma.Temos ainda muito o que aprender e viver, de qualquer jeito, vale a pena.

O poeta que me desculpe, mas beleza além de não ser fundamental é subjetiva e acaba. Já o amor não, esse fica, para sempre, nem que seja na só na lembrança, em um quadro em uma frase ou gesto.

Nosso único compromisso nessa vida e com a felicidade. Busque a sua! Se cuide, não se deixe contaminar tanto. Ame e foda-se o resto!

Laura Barreto

P.S:Para uma amiga que está se sentindo feia e infeliz, uma artista, linda e inteligente!COm muita sensibilidade e amor para dividir e ensinar. “You’re a beautiful, no matter what they say!Words can´t bring you down. Bola pra frente!”
Segura a onda e conte sempre comigo!

De Tirar o Sono

Hoje não tive tempo de almoçar, tinha que fazer uma pesquisa com a Helena (6), aproveitei então o intervalo e fui em casa para terminarmos, cheia de figuras.

Dispensei o escolar e levei as duas na escola. Por sinal uma das melhores de BH e as notas estão ótimas. Fomos cantando até lá, as duas lindas, saudáveis, inteligentes e muito queridas. Uma benção, agradeço diariamente!

Na volta, passei na lanchonete aqui em baixo de escritório para fazer uma saudável refeição de uma empada e Coca Zero (depois morre, reclama).

Na porta estavam três crianças, duas meninas e um menino,  mais ou menos da idade das minhas, 6 e 7 anos.  Pediram-me que pagasse um lanche. Eu pergunto:”Como é que alguém consegue comer depois disso?”  Eu não consigo.

Comprei um salgado para cada, suco e bolo. Sentei do lado delas  e comecei a assuntar. Estudam em um grupo no Jardim América e moram na favela do Papagaio, estavam por ali porque tinham “matado” aula. Puxei a orelha dos três ( de brincadeira), mas falei que estudar era muito importante. Claro que nem me ouviram, devoram as coxinhas já de olho no bolo. São crianças, gente!

Lembrei então de um caso muito antigo.  Minha irmã, que é psiquiatra infantil, ainda fazia residência quando foi atender um menino de cerca de 8 anos que, segundo a mãe, só podia ter algum problema  no “celebro”, já que era só parar  que dormia imediatamente, até em pé. Durante a consulta o pequenino cochilou várias vezes,  a mãe o acordava aos solavancos.

Preocupada e seguindo os protocolos, minha irmã solicitou alguns exames e pediu a eles  que retornassem quando ficassem prontos. Certo dia o menino voltou, sozinho. Alice então aproveitou a ausência da mãe e rara lucidez do garoto  para saber mais sobre a sua rotina.

Magro e abatido ele contou que ia para escola cedo e quando chegava ajudava a mãe a preparar os cartuchos de amendoim torrado que tinha que vender na rua, rodando os bares de BH.

O pobrezinho, sozinho,  só podia voltar para casa quando tivesse vendido todos, se não apanhava, por isso não tinha hora para chegar… às vezes dava sorte e chegava antes da meia noite, porém quase sempre ia dormir entre 3 e 5 da manhã. No dia seguinte começava tudo novamente.

Quando podia ele dormia sim, em qualquer lugar, principalmente na aula, mas  não tinha problema neurológico algum, só estava cansado e com sono…muito sono.

O que podemos esperar dessa criança quando adulta? Não muito… se estiver vivo ainda já é um vencedor. Assim como  também, a não ser por muita sorte, não podemos esperar daquelas que queriam só  lanchar uma coisa diferente. Não estão erradas, são só crianças!  Crianças!

Precisam ter saúde, de dormir, comer, estudar, brincar e de carinho…não estão pedindo mais do que deveriam ter por direito.

Não consegui comer até agora e provavelmente não conseguirei dormir. Não posso fechar os olhos para essas crianças, preciso fazer algo, não sei bem o quê ainda, aceito sugestões.  Há dois anos ajudo o Espaço Especial no natal, uma instituição particular, que com o apoio mínimo da prefeitura de Nova Lima, acolhe e trabalha o desenvolvimento e a integração de jovens com paralisia cerebral à sociedade. Agora, me parece muito pouco…

O que eu sei fazer é só comunicar, mas se o clientinho da minha irmã não dormia para vender amendoim, posso não dormir também para ajudar.

Não quero ser mártir, fazer voto de pobreza, nem nada parecido. Gosto da minha vida e sou muito grata por tudo que tenho e conquistei. Porém  posso e devo usar  meu “dom” e conhecimentos de alguma forma. Começarei colocando novamente o banner do projeto “Apadrinhe” do Fundo Cristão Para Crianças, um trabalho que sei que é sério e comprometido. Não é muito, mas já é alguma coisa.

O texto ficou pesado, eu sei. A vida real é assim…Se tirei o seu son, peço desculpas, dormir faz muita falta, né?

Me ajuda a ajudar?

Beijos,

Laura Barreto

 

P.S: Esse caso do paciente da minha irmã tem cerca de 15 anos ou mais. Posso ter confundido algumas informações, é bem provável, mas a história nunca saiu da minha cabeça.

 

Encontros Especiais

Encontrei com colegas que não via há 30 anos, desde a 5ª série, me emocionei várias vezes, não só pelas lembranças, mas pela jovialidade que conservamos. Algumas (eu inclusive) jogaram 5 Marias, outras pularam elástico e todos cantaram o hino do Santo Tomás de Aquino. Eu confesso, nunca soube e só gritava o refrão, o que repeti neste delicioso sábado na Pizzaria 68, 3 décadas depois.

Saí mais cedo porque tinha o  chá de bebê de uma grande amiga, que veio dessa época e  tantas vezes me ajudou. Ela está linda, radiante e com uma super barrigona, mas só barriga. Flávio chega no final do mês  e será recebido com muito amor. Amo toda a família Meirelles de Mello!

Hoje domingo, fui velejar com amigos de infância, tios Dirceu e Elvira, amigos dos meus pais, fazem parte da família. Gustavo, Flávia e Fernanda ( só faltou o Henrique) eram praticamente primos. Fiquei encantada ao ver as crianças, netos de amigos há cerca de 50 anos, brincando como a gente fazia. Chegaremos lá, se Deus quiser ( eu quero)!

Depois ainda fui encontrar com meus irmãos, mais crianças! Terminamos o dia tomando um café com uma amiga que terá amanhã sua primeira sessão de quimioterapia. Tenho certeza que com o bom humor que conserva tirará mais essa etapa de sua batalha contra o câncer de letra!

Não tem nada mais importante do que isso, precisamos conservar e cultivar as amizades. E  tem gente que ainda não entendeu que é disso que a vida e feita: de escolhas, encontros e reencontros especiais.

Somos todos crianças, mais ou menos espertas, que levaram bordoadas da vida, mas estamos todos aqui, tocando em frente. Por isso tenho como meta na educação de minhas filhas que elas cultivem e valorizem as amizades, nada nessa vida é mais importante.

E que Santo Tomás de Aquino continue protegendo CADA menino! E todos esses meninos, em especial a Malu!

Conte conosco, fé em Deus e acaba logo com esse “caracará sanguinolento dos infernos”!

Beijos,

Laura Barreto

Olhai pelas nossa crianças…

Às vezes, só às vezes eu arrisco escrever coisas mais sérias aqui… hoje é dia.

Aliás hoje não é dia porque é quinta feira, “quando a vida finalmente começa a se infiltrar em meu corpo”. Mas preciso fazê-lo…

Terça a noite,  assistindo “Profissão Repórter” na Globo, passei mal, de verdade, tive taquiardia e caí em um choro que não conseguia parar. O tema já era pesado por si só “ Violência Sexual”, daí quando começaram a passar os depoimentos das crianças a coisa apertou.

Claro que não mostraram  a carinha de nenhum, mas a vozes e a mãozinhas estava lá, falando mais do que mil palavras.

Um pequenino, de 4 anos coloria com giz de cera enquanto contava, quando a assistente social aborda o assunto ( com muito tato) sobre o que o pai fez com ele, o giz começa a se partir, um a um… as mãos então se apertam e ele chora. Um chorinho triste, doído mesmo.

Meu Deus… como não chorar, como ficar impassível diante de uma cena dessa? Eu que já tenho insônia não dormi mais. Fui no quarto de cada uma das minhas filhas, beijei-as e fiquei pensando como educá-las para que  jamais nada nem parecido aconteça a elas.

Se pudessemos deixaríamos debaixo da asa da gente o tempo todo, não é mesmo? Mas não tem jeito, “são meninos passarinhos com vontade de voar”.

(Escrevi isso hoje às 7h da manhã e parei, estava muito pesado, difícil mesmo. Então por volta das 8:30h uma tragégia toma conta dos noticiários, depois de chorar, chorar, resolvi continuar o texto…)

Em um crime premeditado , um rapaz de 23 anos,  invade uma escola municipal no Rio de Janeiro, armado de dois revólveres calibre 38, recarregadores e muita munição,  dispara em várias crianças nas salas de aula, é alvejado  por um policial e se mata em seguida.

Até o momento já haviam sido confirmadas 11 mortes e vários ainda estão em estado grave no hospital. Crianças gente, crianças…

É impossível ver a cara de médicos, policiais, coleguinhas  e principalmente dr desespero dos pais sem se emocionar. Pessoas que passavam na rua ajudaram a socorrer, um senhor numa pick-up Kombi chorava copiosamente e repetia: “Eu tentei! Fiz o que pude, elas ainda respiravam quando coloquei no carro. Eu fiz o que pude, mas milagre eu não faço”.

Que coisa injusta, meu Deus, com crianças não… na sala de aula, inocentes, com a vida toda pela frente. Jesus! Ver as caras dos professores, médicos, colegas e principalmente o desespero dos pais é de deixar qualquer um no chão.

Como mãe peço a Deus que olhe por esses pais e lhes dê força , paz e sabedoria para aceitar e continuar vivendo. Não sei se eu daria conta… não mesmo.

Sentimentos de medo e impotência dividem o espaço com a tristeza. Como fazer para protegermos nossas crianças? Proteger contra quem? Do quê? Onde?

Até onde a responsabilidade também não é nossa? Não adianta nos fecharmos em condomínios de alto luxo e criar “canarinhos para viverem no meio de pardais”, é tapar o sol com a peneira, o mundo é coletivo: piora para um piora para todos. Não se iluda…

Precisamos cuidar dessas crianças, das nossas, de cada uma e de todas. Precisamos servir no mínimo de exemplo para que no futuro tornem-se seres humanos melhores do que nós e não permitam que atrocidades como estas continuem a acontecer.

Deus abençoe esses pais e que esses meninos e meninas que hoje se foram (anjinhos) olhem por nós e pelas nossa crianças… estamos precisando. Estamos precisando melhorar, e muito…

Laura Barreto

Desequilíbrio no Equilíbrio ou Vice Versa

Estamos as três aqui em casa, eu afônica e ainda meio (completamente) lesada e desmemoriada por causa do evento de ontem, sei que me comportei bem porque a Goldie falou  e  ainda dei banho na Bella e na Nena, ou elas deram em mim, e as coloquei para dormir ( so they told me), genducéu, como me diverti.

Hoje tivemos pizza, cinema, enchi o pula pula inflável no play ( maldita hora que resolvi fazer isso, os braços estão até doces), fomos no cinema e agora banho e dormir. Extremo oposto de ontem e como foi bom!

Confesso sem nenhuma culpa que não tenho muita paciência para nenéns…muito fofinho, delícia, cheiroso, meia hora. A rotina e a falta de interação me cansam mais do que encher pula pula.
As minhas já passaram dessa fase, graças a Deus, não me dão trabalho nenhum, com uma boa conversa até ajudam e adoro ficar com elas. A única coisa que ainda me desorienta é quando ficam doentes, as duas ao mesmo tempo então ( como agora) é duro… Helena com otite e Isabella gripada.

Algumas pessoas me questionam sobre o fato de ainda ter babá de final de semana. Mantenho e manterei até elas saírem de casa ou se casarem! Se fossem homens seria até se alistarem no  exército! hahaha
A verdade é que só mantenho a babá para poder sair eventualmente aos sábado, como aconteceu ontem. Infelizmente não descobri ainda um serviço sério e confiável de baby sitter . Alguém conhece? Se souberem vamos divulgar, seria uma mão na roda.

Enquanto isso, a solução é contar com a Camila, e pagar o combinado para o final de semana todo, mesmo que eu a dispense no domingo para curtir mais as pequenas, como hoje.

E outra, assim como as mães querem os filhos felizes e saudáveis, as crianças também ficam melhores quando estamos bem. Olha ele aí novamente, o equilíbrio. O importante é sempre ele e dá-lhe reza para a nossa senhora da bicicletinha!

Falando nisso, sábado tive inveja de uma amiga querida que foi com o marido e as duas filhas no bloco “Vem Correnu”, no Belvedere. O irmão, ( meu amigo sem noção) já tinha desfilado com a mais nova fazendo o maior sucesso entre as moças: “Ai que fofa, que lindinha, posso carregar?”

Não que precise desses subterfúgios, moço de boa família, separado e sem filhos… O cara está mais concorrido que concurso público. Mas não é pro meu bico, é só amigo “mes”…unf (olha a Lady Murphy aí gente!)

Voltando à estratégia do “Dom Juan”, quando a primeira pegou a pequena  no colo minha amiga virou bicho, lá foi a leoa: “Me dá!”. A moça, tadinha, sem saber que se tratava da mãe, respondeu que não. “Como não? Dá sim, ela é minha!” falou séria. Fiquei rindo de longe ( eu faria a mesma coisa).

Depois de mais ou menos uma hora lá, o maridão percebeu que a empreitada não daria certo. Conversaram numa boa e decidiram: ele iria com as meninas para a casa e ela ficaria lá mais um pouco. Confiança, carinho e participação, bases sólidas de um relacionamento bacana. Parabéns!

Quando o vi  entregando o cartão de crédito então, quase tive uma síncope!Aí é prova de amor demais, colocar um cartão de crédito na mão de uma mulher já com alguns chopps a mais na cabeça? Isso não existe!

Brincadeiras à parte, fiquei muito feliz de ter uma pessoa tão bacana como leitora e, mais do que isso, como amiga. Nessa tarde, só nessa, ela perdeu o equilíbrio e caiu de bunda no lixo,  está valendo, confesso que até gostei, cansei de ser a única a “remunerar o pequeno primata”.

Muito obrigada pela companhia. Adorei!

Beijos,

Laura Barreto

Santa Clara Clareou

Quando a gente a acha que já aprendeu tudo… erra! Estou um esquema assim, “lagostaine” ( em dua homenagem Lu!) toda torrada, uma coisa horrorosa!

Tinha esquecido que caçar tatuí e fazer castelinhos sem protetor solar poderiam destruir um ser humano… fora  o toboágua.

Mas esses não foram os acontecimentos mais importantes do dia… uma menininha quase afogou na piscina e aí a gente reforça a preocupação, tem que ficar de olho!

Em questão de segundos uma mocinha de uns 6 ou 7 anos ficou presa no ralo da piscina, quem viu, soltou e salvou a pequena foi outra menininha, um amor, a Clara! Que menina fofa, linda e doce!

Ela já tinha avisado todo mundo ( parece que sabia), seguindo os conselhos da mãe que mostrou anteriormente os riscos de nadar por ali. Eu mesma fui uma das avisadas, nadando com 3 nos meus (torrados) ombros. De repente berros e não é que a Clara salva a menina! Um  segundo e o bracinho da menininha ficou preso com força suficiente para que ela não conseguisse se soltar e deixar uma marca assustadora. Clara ajudou e mãe surgiu em segundos.

A gerência do hotel apareceu, nada foi feito de imediato, imagino e espero que providências sejão tomadas.

Como tenho meu método “terrorista” de educar, imediatamente chamei as meninas, contei o caso ( com riqueza de detalhes) e as proibi de nadar por ali. Mas que fique a lição, nem sempre tem uma “Santa Clara” por perto.

O negócio é ficar de olho, não tem jeito!

E viva Santa Clara que hoje clareou!